UNICEF Venezuela

Na continuação transcrevemos as impressões que Nadya Vásquez, a representante da UNICEF na Venezuela, nos transmitiu sobre o trabalho desta organização e a situação do país em relação à infância.

Como voces sabem, a Venezuela é uma terra muito rica, porém os frutos desta riqueza não chegavam a toda a população e o país acumulava uma enorme dívida social. Isto afetava especialmente as crianças, porque quando alguém estuda a pobreza vê que quem mais sofre são realmente os mais pequenos.

Na atualidade Venezuela tem logrado muitos avanços em políticas públicas e instrumentos jurídicos que respaldam os convênios que o país tem assinado em matéria de Direitos Humanos.

Se estabeleceram uma grande quantidade de políticas e medidas legislativas positivas. Quiçá o grande objetivo da Venezuela na atualidade seja criar os mecanismos que permitam implementar todos estes instrumentos eficazmente, de tal forma que permitam a transformação da vida das crianças e a superação de muitos problemas que tem a ver com a violência estrutural que sofrem. Digo estrutural porque está acentuada em instituições como a família, a escola, os serviços de saúde, etc. Tem que se fazer toda uma transformação para que estas instituições dêem a volta e adquiram ou incorporem o verdadeiro sentido de humanidade e equidade necessárias.

Estamos frente a grandes objetivos. No nosso caso, a UNICEF de Venezuela está muito interessada em seguir apoiando todos os esforços de atenção precoce à infância em termos de saúde, educação, cuidados diários... O tema da educação dos adolescentes, por exemplo, é um problema que não só está afetando aos jovens deste país como de toda a América Latina. Cada vez mais adolescentes estão abandonando a escola antes dos 15 anos e isso vai afetar muito o esforço que se está levando a cabo para romper o círculo vicioso da pobreza.

Também cabe dizer que as sociedades estão se hierarquizando por gênero, etnia, idade,… e os níveis de participação que alguém possa ter dependem de que nível esteja. Desgraçadamente nesta hierarquização as crianças são as mais fracas, pelo que temos o dever de colaborar com todas aquelas organizações que estejam trabalhando para que os meninos e meninas obtenham uma maior participação nos temas e nas decisões que lhes concernem e para que essa participação seja autêntica, uma participação que derive de seus próprios valores, de seus próprios princípios e de suas propostas como um grupo social.

É o que nós percebemos, e no caso da Venezuela, podemos dizer que existe uma tremenda resposta. Nós somos um organismo, um fundo, e por conseguinte temos a tarefa de angariar recursos, sobretudo em países como este porque Venezuela os tem, conta com um nível de desenvolvimento médio. Quiçá o esforço tenha que ser dirigido em como fazer para que esses recursos se destinem até as prioridades e que os gastos possam realmente ser medidos em termos de eficiência.

A UNICEF está em todo esse processo de colaboração, porém também tem muita gente que nos ajuda. O faz porque existe um profundo compromisso pela infância e pela adolescência. Eu acredito que as pessoas são conscientes de que a sociedade que teremos no futuro depende das crianças de hoje.

Nosso programa está orientado ao fortalecimento das capacidades nacionais em matéria de definição e implementação de políticas públicas e de mecanismos que façam possível a aplicação real da Convenção sobre os Direitos da Criança através dos instrumentos jurídicos que a Venezuela tem, neste caso, uma extraordinária lei de proteção da infância e adolescência.

Mais informações:
Convenção sobre os Direitos da Criança
Unicef - Venezuela
Unicef - Comitê Espanhol

*Traduzido ao português por Álvaro S. Campos.