Educadores de rua AXÉ

Salvador, 30 de setembro de 2006.

Como vimos em reportagens anteriores, a Organização AXÉ de Salvador da Bahia (Brasil) trabalha com crianças em situação de rua. Nesta ocasião falamos com Edgar, que leva 8 anos trabalhando no projeto, e Amiltom, que lhe acompanha faz 8 meses. Eles nos explicam como realizam o contato com as crianças na rua, o primeiro passo e a peça motora do processo educativo AXÉ.


Amiltom e Edgar, educadores de rua do projeto AXÉ

Edgar, no que consiste a educação de rua?

São várias fases, consiste em ir aos lugares onde sabemos que existem crianças em risco social, fazemos uma observação, nos aproximamos e começamos o trabalho pedagógico. Depois de um tempo, se a criança demonstra interesse, a levamos a uma unidade da AXÉ para que a conheça. Também fazemos uma visita à sua família porque as condições para que participe no projeto são que retorne à sua família (se a tem) e que vá à escola. Quando tudo isto é atendido nosso trabalho termina e o continuam as unidades pedagógicas de AXÉ.


Meninos dormindo em frente do escritório turístico no centro antigo de Salvador.

São muitas crianças que se encontram na rua em Salvador?

Tem muitas crianças que passam o dia na rua e pela noite vão à suas casas, também tem os que abandonaram a casa de seus pais e dormem na rua. Nestes anos conseguimos que muitos saíssem desta situação. Alguns deles já são jovens e agora trabalham com AXE como educadores de outras crianças.

Como é a reação das crianças quando entram em contato com elas?

Quando observamos a crianças na rua elas também nos observam, na realidade nós somos os intrusos, a rua é sua. A esta observação mútua lhe chamamos “paquera pedagógica”. Eles nos perguntam o que estamos fazendo, nos apresentamos e lhes mostramos nossa pedagogia. Então começamos um processo que tem o objetivo de que se interessem e desejem vir à instituição para participar do projeto, é a pedagogia do desejo. Quando aceitam vir os trazemos, lhes apresentamos todas as unidades e eles escolhem: dança, capoeira, música, moda,... o que mais gostarem. Então visitamos a sua família, se a tiverem, lhe explicamos do quê se trata o projeto e expomos que para que a criança seja aceita tem que regressar para casa e à escola. Se aceitam é o final de nosso processo como educadores de rua e o trabalho continua em AXÉ.

Como se desperta esse desejo na criança?

Nossa presença na rua sempre lhes desperta curiosidade. Como lhes dizia, são eles que controlam a rua. Sabem que não somos dali, pelo que se aproximam para perguntar quem somos e o que estamos fazendo. A primeira idéia que tem é que somos policiais ou do juizado de menores. Lhes explicamos no que consiste o projeto e ficamos com eles outro dia para brincar ou para desenhar. O processo é muito lento, são vários encontros, queremos despertar seu desejo, sem forçar, sem obrigar, podemos demorar de 4 a 6 meses até que se decidam a visitar AXÉ. Estamos organizados de maneira que somos dois educadores por cada área. Amiltom e eu, por exemplo, vamos todos os dias à Barra, combinamos com as crianças às 8:00 da manhã em um determinado lugar. Chegam para conversar, jogar dominó, damas, o ônibus da AXE também é um excelente suporte pedagógico para a educação de rua.... Quando estão cansados ou se aborrecem se vão. Sempre lhes convidamos para que voltem no dia seguinte. Muitas vezes desaparecem dois ou três dias e então voltam. Porém eles sabem onde podem nos encontrar.


Ônibus de AXÉ.

O que mais dificulta nosso trabalho é a droga. Quando estão sob o efeito da cola ou do crack não podemos trabalhar com eles. Uma condição para que possam participar do projeto é que se afastem das drogas.

Como as famílias os recebem?

Normalmente muito bem, muitas vezes somos a última esperança.

Amiltom, Como tem sido tua experiência?

Venho de um programa do Governo chamado PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e de trabalhar no Juizado de Menores. Faz só uns meses que trabalho com Edgar em educação de rua e está sendo uma grande experiência porque antes eles tinham medo de mim e agora sem preocupação se aproximam e brincam. Compreendi que não conhecia sua realidade, a situação tão dura que tem em suas casas, a pobreza que lhes faz ir à rua. Pessoalmente é um trabalho muito gratificante.

Artigos relacionados:

“Exposição AXÉ”.

Projeto AXÉ: Ética, Estética e Arte-Educação.

“Alimentando estômago e cabeça”.

Mais informação:
www.projetoaxe.org.br

Para fazer uma doação ao Projeto AXÉ:
Banco do Brasil / Centro Projeto AXÉ
Agência: 2957-2 / Conta: 8587-1
Código swift: BRASBRRJSDR
Endereço do Banco: Av. Sete de setembro 733, Salvador – BA


*Traduzido ao português por Álvaro S. Campos.



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