Exposição AXÉ

Salvador, 30 de setembro de 2007.

A cidade de Salvador na Bahia foi muito prolífico em relação a conhecer projetos sociais. Nós ficamos bastante tempo e de parte de UNICEF conhecimos a Salvador (casualmente seu nome coincide com o da cidade), um espanhol de Zaragoza que vive faz muito tempo no Brasil, e que nos coordenou várias visitas muito interessantes, das quais tu já podes ver algumas nesta seção “Melhorando o Mundo”.

Uma visita que nos apaixonou foi a de AXÉ, uma ONG que trabalha com “meninos em situação de rua”, isto é, crianças que por diversas razões vivem na rua. Te vamos falar de AXÉ e seu trabalho em vários artigos, como introdução te apresentamos uma exposição de trabalhos de artes plásticas realizadas por educandos do projeto.

Iara é a simpática supervisora de arte-educação de AXÉ e responsável pelo trabalho.

Iara, no que consiste a exposição?

No projeto AXE nos propomos trabalhar com a arte para educar. Esta exposição é o resultado de uma investigação que fizemos ao longo deste ano com o tema “Pequenos artistas do sagrado, mitos da Criação”.

Foi um trabalho muito interessante porque conseguimos fazer uma viagem por parte da pluralidade cultural que existe no mundo, a qual nem sempre é fácil acessar, e sobretudo partindo de nossa cosmogonia judaico-cristã de Salvador onde a cultura afro é muito forte.

Reconstruímos com os educandos toda uma cultura que foi suprimida pela presença européia e resgatamos aos deuses indígenas. Eles/as Puderam conhecer como vivia esta cultura e quais eram suas crenças. Podemos refletir com ele sobre uma sociedade que se baseava na solidariedade, que é exatamente onde reside nosso objetivo.

Paralelo a este trabalho também investigamos a cosmogonia hindú, uma cultura muito distante da nossa, e que surpreendeu muito às crianças, que não conheciam nada do continente asiático. Com isto vimos que existem diversas maneiras de interpretar a criação do mundo e que a humanidade evoluiu de diferentes maneiras.

O resultado do trabalho está aqui, nesta exposição, nas maravilhas que foram criadas pelas crianças. Para nós é muito emotivo ver, produzido por estes/as jovens que durante toda sua vida não tiveram acesso nem tão sequer a sua própria cultura, e que agora tem esta possibilidade de inclusão social e cultural.

Como foi a experiência de ver este processo de criação e aprendizagem dos/as jovens?

Costumo dizer que trabalhando como supervisora do projeto AXÉ me surpreendo todos os dias. É maravilhoso ver as crianças entrando de cabeça naquilo que lhes propomos porque acreditam que é algo que vai lhes trazer, não somente um conhecimento de suas próprias humanidades, senão também aproximar o mundo, vão viajar e conhecer parte do planeta sem sair daqui.
Cada dia é uma alegria, uma emoção, porque eles tem a capacidade de nos envolver, e à noite quando vou para casa e penso como foi o dia acabo descobrindo que não só ensinei senão que aprendi muito, minha impressão é que eles/as nos ensinam mais que nós a eles/as, cada dia é um aprendizado de vida.

Na educação formal tão marcada parece que muitas vezes não tem espaço para que as crianças desenvolvam suas capacidades artísticas, a imaginação,… somente tem que seguir as instruções que recebem. Qual é sua estratégia?

Acredito que o grande diferencial é que no projeto AXE temos a proposta da inclusão pelo que sempre estamos abertos a discutir e dialogar de forma crítica seu nível comportamental.

Nós lhes explicamos como funciona nosso sistema social, cultural, político,... com a idéia de que eles e elas encontrem o caminho da inclusão. Se para a sociedade o que eles/as trazem possa parecer inadequado, nós o entendemos como um caminho aberto para construir com eles/as a melhor maneira de caminhar em direção à cidadania, porém jamais fazemos um julgamento moral.

Alguns educandos de Iara nos explicam seu trabalho:

Joelma: “Cada aluno/a tinha que escolher um desenho para depois trabalhá-lo, escolhi o que me pareceu mais interessante, que ao final, seria o mais complexo. Não sabia que além de desenhar, o que já foi complicado, teria que bordar, assim que precisei de mais tempo que os demais e tive que ajustar muitos detalhes. Veja que o mesmo desenho se repete em diferentes quadros, porém realmente são diferentes, cada um tem seu estilo e sua interpretação.”

“Este por exemplo, mostra a lenda indígena que diz que a tribo um dia encontrou um tatu, lhe seguiram e acabaram chegando a outro mundo, um lugar cheio de pequenos animais, flores e muita água.”

“Otra propuesta que Iara nos hizo fue realizar un trabajo sobre la creación del mundo, pero creando cada uno de nosotros su propia teoría.
En esta pintura explico como yo entiendo la creación. Todo empieza de esta flor, es de donde surge el río. El cocotero tiene los cocos en medio del tronco y no arriba, como encontramos en la naturaleza. Creé que el ser humano vino de dentro del coco, los hay quienes dicen que vino del polvo pero yo prefiero creer que cuando un coco cae al suelo se abre y de dentro sale el ser humano”.

Bruna cuenta el trabajo que realizó del Brahma de cuatro cabezas. “Fue un trabajo colectivo hecho de materiales reciclados. Trabajamos sobre una garrafa de agua de 20 litros que fuimos moldeando con periódicos, los pétalos de la flor de lotus los hicimos con cartón. La cultura hindú me llamó mucho la atención por lo diferente que es en relación a la nuestra”.

Julio explica lo más le gusto: “Me encantó trabajar con serigrafía, las telas estampadas, las lámparas, fue interesante el proceso de dibujar una mandala con los dioses hindús para después pasarla a las telas. Me gusto tanto que quería haber producido mas cosas.”

“Me gusta mucho esta máscara indígena. El proceso fue divertido, teníamos que pegar un papel húmedo a la cara para que la mascara saliera con la forma de nuestro rostro, después, con pegamiento, fuimos pegando otros papeles. Estoy muy satisfecho y creo que aprendimos mucho con los trabajos que hicimos.”

Jackson dice que lo que le pareció más interesante “fue esta escultura de los tres indígenas sujetando el mundo, este mundo que como dicen es redondo. Lo hicimos con papel reciclado, periódicos y tinta. Quedo una bonita escultura, además aprendí que los indígenas cultivaban y fabricaban ellos mismos todo lo que necesitaban. Me llamó la atención que en la cultura indígena y en la hindú, ellos creían en muchos dioses mientras aquí y ahora se cree sólo en uno.



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