Vagner, la voz desde dentro de la favela


Conocimos a Vagner en una de las reuniones de líderes comunitarios de la Red de Comunidades Saludables que organiza el CEDAPS. Pertenece al colectivo “Juventud Negra” y además de explicarnos como trabaja su grupo, es un testigo de excepción que nos habla de lo que significa ser negro y vivir dentro de la favela.

¿Cuál es la relación que tiene el joven marginado con la policía?

Vagner: La policía tiene una pésima actitud con los jóvenes pobres, especialmente si somos negros, nos tratan como marginales y terminamos actuando violentamente por odio, porque nos sentimos perjudicados reiteradamente. La policía en este país está muy mal preparada, actúa de forma prepotente y llegan incluso a secuestrar y matar a jóvenes de la comunidad por venganza, porque ellos fueron atacados por algún criminal que no han sido capaces de encontrar, no les importa que tú seas inocente. Vivimos en este fuego cruzado, siempre con miedo. Cuando los policías golpean tu puerta, si abres te pegan y te humillan, si no abres eres un bandido y te llevan a la cárcel, aunque seas inocente. La justicia no es mejor, para nosotros es muy injusta. Tengo amigos que fueron a parar a la cárcel sólo por ser sospechosos, acusados de delitos que no cometieron. No conseguían abogado por no tener dinero para pagarlo y cuando pudieron demostrar que eran inocentes ya habían perdido sus empleos y tenían la vida destruida. El mundo necesita paz pero para conseguirla necesitamos un sistema más justo.

¿Y la relación del morador de la favela con el traficante?

En nuestra sociedad los papeles están invertidos, los traficantes están en la favela porque no tienen opción, pero ellos tratan a los moradores como personas, respetan a las mujeres y a los niños. Los malos de la película son los que aparecen como buenos, la que nos maltrata es la justicia oficial.

¿Puede la política solucionar esta situación?

En mi opinión los jóvenes tenemos que politizarnos, no podemos esperar que otra persona luche por nuestra causa, pero es difícil, el joven negro no tiene tiempo para formarse porque tiene que sobrevivir, tiene que buscar que comer, y muchos de nosotros, desde los 15 años, ya tenemos una familia que alimentar. La joven negra está todavía en peor situación. Desgraciadamente hay un índice altísimo de prostitución, incluso niñas de 12 a 15 años.

¿Qué trabajo realizáis desde vuestra asociación?

Buscamos soluciones a las principales problemáticas que sufre la juventud negra. Somos muchos trabajando juntos, en mi ciudad estamos 15 entidades, somos 27 instructores que trabajamos con 910 jóvenes. Cada uno nos dedicamos a un tema diferente, yo a las danzas y desfiles, otros a la salud, al deporte,... vamos recorriendo diferentes comunidades y participa mucha gente. En todas las presentaciones pedimos a los participantes que traigan un kilo de alimento y con esta comida preparamos cestas básicas para distribuir a las familias más carentes.
También hacemos un trabajo de orientación sobre los derechos y deberes de los jóvenes, y de formación. Los traficantes no interfieren en todo esto.
Otro proyecto en el que estamos trabajando consiste en una escuela comunitaria, porque las guarderías y escuelas no tienen plazas suficientes para atender a todos los niños/as. El trabajo está siendo realizado de forma voluntaria por jóvenes de la propia comunidad. Por la mañana de 8 a 11:00h. se cuida a los más pequeños para que las madres puedan hacer sus cosas y atender a sus otros hijos, por la tarde se ofrece refuerzo escolar y por la noche se dan clases de alfabetización de adultos. También se enseña a madres adolescentes a cuidar de sus pequeños/as porque muchas no tienen ni idea de como atenderlos, no saben como cambiar los pañales o preparar el biberón.
También trabajamos junto a algunos equipos de fútbol a los que llevamos niños de la comunidad para que les hagan una prueba. Son niños con talento y algunos tendrán oportunidad de desarrollarse en esta actividad porque dentro de la favela no tienen condiciones de entrenar, ni tan siquiera de alimentarse adecuadamente para la vida deportiva. Más tarde el joven que se convierta en un jugador profesional ayudará a la comunidad y es posible que pueda mostrar a la sociedad como son las condiciones de vida de toda su comunidad, eso ya ha ocurrido.
En fin, el trabajo es muy amplio.

¿Cuál crees que puede ser la solución a esta situación?

Estamos trabajando para conseguir la atención de medios de comunicación extranjeros porque cuando la gente aquí ve que alguien de fuera se interesa por lo que está ocurriendo en su casa se siente avergonzado y reacciona, hasta entonces no se hace nada.




Vagner, a voz desde dentro da favela.

Conhecemos a Vagner numa das reuniões de lideranças comunitárias da Rede de Comunidades Saudáveis que organiza o CEDAPS. Pertence ao movimento “Juventude Negra” e além de nos explicar como trabalha o seu coletivo, é um testemunho excepcional que nos fala do que significa ser negro e viver dentro de uma favela.

Qual é a relação do jovem marginado e a polícia?

Vagner: A polícia tem uma péssima atitude com os jovens pobres, especialmente se somos negros, nos tratam como bandidos e terminamos atuando violentamente por ódio, porque nos sentimos prejudicados todo o tempo. A polícia neste país está muito mal preparada, atua de forma prepotente e chegam incluso a seqüestrar e matar a jovens da comunidade por vingança, porque eles foram atacados por algum marginal que não foram capazes de encontrar, não lhes importa se você é inocente. Vivemos neste fogo cruzado, sempre com medo. Quando os policiais batem na nossa porta, se abrimos apanhamos e somos humilhados, se não abrimos somos bandidos e nos prendem, mesmo que sejamos inocentes. A justiça não é melhor, para nós é muito injusta. Tenho amigos que foram parar na prisão só por suspeitas, acusados de delitos que não cometeram. Não conseguiam advogado por que não tinham dinheiro para pagar e quando puderam demonstrar sua inocência já haviam perdido seus empregos e a vida estava destruída. O mundo necessita de paz mas para consegui-la necessitamos de um sistema mais justo.

E a relação do morador da favela com o traficante?

Em nossa sociedade os papéis estão invertidos, os traficantes estão na favela porque não tem opção, mas eles tratam aos moradores como pessoas, respeitam as mulheres e as crianças. Os bandidos neste filme são aqueles que aparecem como mocinhos, quem nos maltrata é a justiça oficial.

A política pode solucionar esta situação?

Na minha opinião nós jovens temos que nos politizar, não podemos esperar que outra pessoa lute pelas nossas causas, mas é difícil. O jovem negro não tem tempo para se formar porque tem que sobreviver, tem que buscar o que comer, muitos desde os 15 anos já tem uma família que alimentar. A jovem negra está ainda em pior situação, infelizmente o índice de prostituição é muito alto, incluso de meninas entre 12 e 15 anos.

Que trabalho vocês desenvolvem desde o coletivo “Juventude Negra”?

Buscamos soluções às principais problemáticas que sofre a juventude negra. Somos muitos trabalhando juntos, na minha cidade estamos 15 entidades, 27 instrutores que trabalhamos com 910 jovens. Cada um se dedica a um tema diferente, eu me dedico à dança e ao desfile, outros à saúde, ao esporte,... vamos percorrendo diferentes comunidades onde participa muita gente. Em todas as apresentações pedimos às pessoas que tragam um quilo de alimento e com isso preparamos cestas básicas para distribuir às famílias mais carentes.
Também fazemos um trabalho de orientação e formação sobre os direitos e deveres dos jovens. Os traficantes não interferem nas nossas atividades.
Outro projeto em que estamos trabalhando consiste numa escola comunitária, porque as creches e escolas não tem vagas suficientes para atender a todas as crianças. O trabalho está sendo realizado de forma voluntária por jovens da própria comunidade. Pela manhã de 8 a 11:00h cuida-se dos mais pequenos para que as mães possam fazer suas coisas e atender aos outros filhos, pela tarde se oferece reforço escolar e pela noite se dão aulas de alfabetização de adultos. Também se ensinam as mães adolescentes a cuidar dos seus pequenos porque muitas não tem nem idéia de como atender-lhes, não sabem como trocar a frauda ou preparar a mamadeira.
Também trabalhamos junto a alguns times de futebol onde levamos crianças da comunidade para serem avaliados. São crianças com talento e alguns terão a oportunidade de se desenvolver nesta atividade porque dentro da favela não tem condições de treinar, nem mesmo de se alimentar adequadamente para a vida esportiva. Mais tarde o jovem que se converte em um jogador profissional ajudará a sua comunidade e é possível que possa mostrar à sociedade como são as condições de vida de toda a comunidade, isso já aconteceu.
Enfim, o trabalho é muito amplo.

Para você qual pode ser a solução para essa situação?

Estamos trabalhando para conseguir a atenção dos meios de comunicação estrangeiros porque quando as pessoas daqui vêem que alguém de fora se interessa pelo que está acontecendo dentro da sua própria casa se sente envergonhado e reage, até então não acontece nada.